Nos falta originalidade para quebrar as velhas tradições. Recentemente li uma matéria dizendo que, muito embora o brasileiro seja conhecido por sua criatividade, poucos eram os registros de produtos inovadores no mercado.
Mas a falta de originalidade nos ataca até nas coisas mais banais do dia-a-dia. Como nas justificativas. Esse mês o filho do presidente viajou num avião da FAB, com mais 15 pessoas, de São Paulo a Brasília. Não há norma nenhuma dizendo que isso pode. Viajar no avião da FAB justifica-se quando há interesse para a sociedade, quando há uma figura importante do governo trabalhando a nosso favor e precisa da proteção. Não era o caso.
E o pior é que a justificativa do governo para o descaso com o recurso público é que isso é costume. Sempre foi assim, e continua assim. Os outros governos fizeram e esse faz também.
O erro do outro não pode nunca justificar o nosso erro. Alguém jogar lixo no chão não é motivo para jogarmos também. Se assim fosse, não progrediríamos nunca. Imagina se agora vamos dizer que assaltar, traficar e matar são práticas comuns no rio, e a gente só continuou. Não cola, porque não é justificativa.
E vale lembrar que dinheiro público não é dinheiro sem dono. Dinheiro público deveria ser tratado com o maior respeito por todos, pois é fruto do nosso trabalho diário, dos nossos tantos impostos, e tem que ser usado para melhorar a nossa vida. Não a vida de 1, mas igualitariamente de todos. Tem que ser usado nas escolas, hospitais, transportes, saneamentos, redes pluviais, sistema elétrico, e todas as muitas e muitas coisas que são pagas com o nosso dinheiro. É o nosso dinheiro voltando para a gente. Por isso não pode, nunca, servir para atender a 1, e nem para usar a frase cretina de gente tapada “eu tô pagando, posso pegar pra mim”, ou ainda, o posso sujar, quebrar...
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Mal do Século
Não acredito que depressão seja um estado, ou sentimento, novo. Apenas seu nome, sua definição. O sentimento, no entanto, já é antigo. É comum em livros de 3 séculos atrás. As pessoas simplesmente iam perdendo a vontade de viver e definhavam até a morte.
Hoje, todo mundo é estressado e deprimido. Quem não tem um amigo bipolar, que alterna entre fases de euforia e atividades, inconseqüentes, e fases de reclusão. Somos todos estressados, o que favorece muito o surgimento da depressão. E como não ser?
Vivemos em uma cidade que engarrafa diariamente. Nem mais aos sábados e domingos podemos sair às ruas livres dos congestionamentos e buzinas – e como não poderia deixar de ser, sem os xingamentos, tão freqüentes no trânsito.
A política vai mal, e o atendimento público é péssimo. Os hospitais estão super lotados, sem médicos ou equipamentos, e cheios de infiltrações, ratos e baratas.
A polícia, grande parte corrupta, que se impõe na rua com seus fuzis ameaçando os transeuntes, pois somos todos suspeitos.
Os traficantes, que tomaram conta da cidade, estão sempre de olho, nas esquinas, vendo quem vem e quem vai, e se passar um distraído, ainda aproveita para assaltar. Se passar um fissurado, aproveita para vender...
As escolas andam com suas carteiras quebradas, banheiros interditados, professores neuróticos, sem segurança, funcionários ou, mesmo, comida.
E, em meio ao caos – claro, a cidade continua linda, mas ninguém vive só de beleza- leio que o atendimento psicológico oferecido pelos Médicos Sem Fronteiras no Complexo do Alemão chegará ao fim em novembro. Em uma comunidade que o Estado não consegue entrar, que nem o atendimento médico básico não consegue chegar.
Não basta mais só o atendimento médico oferecido pelo Estado. Precisamos, cada vez mais, do atendimento psicológico amplo, atendendo as comunidades. Mas como falar para o Estado começar a atender as pessoas que estão adoecendo por conta do abandono do próprio Estado?
Hoje, todo mundo é estressado e deprimido. Quem não tem um amigo bipolar, que alterna entre fases de euforia e atividades, inconseqüentes, e fases de reclusão. Somos todos estressados, o que favorece muito o surgimento da depressão. E como não ser?
Vivemos em uma cidade que engarrafa diariamente. Nem mais aos sábados e domingos podemos sair às ruas livres dos congestionamentos e buzinas – e como não poderia deixar de ser, sem os xingamentos, tão freqüentes no trânsito.
A política vai mal, e o atendimento público é péssimo. Os hospitais estão super lotados, sem médicos ou equipamentos, e cheios de infiltrações, ratos e baratas.
A polícia, grande parte corrupta, que se impõe na rua com seus fuzis ameaçando os transeuntes, pois somos todos suspeitos.
Os traficantes, que tomaram conta da cidade, estão sempre de olho, nas esquinas, vendo quem vem e quem vai, e se passar um distraído, ainda aproveita para assaltar. Se passar um fissurado, aproveita para vender...
As escolas andam com suas carteiras quebradas, banheiros interditados, professores neuróticos, sem segurança, funcionários ou, mesmo, comida.
E, em meio ao caos – claro, a cidade continua linda, mas ninguém vive só de beleza- leio que o atendimento psicológico oferecido pelos Médicos Sem Fronteiras no Complexo do Alemão chegará ao fim em novembro. Em uma comunidade que o Estado não consegue entrar, que nem o atendimento médico básico não consegue chegar.
Não basta mais só o atendimento médico oferecido pelo Estado. Precisamos, cada vez mais, do atendimento psicológico amplo, atendendo as comunidades. Mas como falar para o Estado começar a atender as pessoas que estão adoecendo por conta do abandono do próprio Estado?
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
O Sendado está em crise!
O Senado está em crise. Já tem tempos. A cada mês aumentam as denúncias. Isso não é novo, já existia a 10 anos atrás. Mas está aumentando. Acho que é mesmo por causo da maior facilidade de divulgação de notícias, o aumento de meios de comunicação e, por conseqüência, o aumento dos comunicadores.
O presidente do Senado, então, o que não falta são denúncias contra ele. Sua defesa? De que tudo não passa de perseguição política por grupos que queriam a cadeira em que está sentado. Estranha explicação. Por dois motivos: (1) porque o concorrente à cadeira é do PT, que está forçando todos a apoiar o Sarney; (2) porque fazem denúncias contra Sarney desde que ele foi presidente do Brasil. Ou até mesmo, desde antes. Mas nesta época eu ainda não estava aqui.
O estado que está – e sempre esteve – sob domínio de sua família tem os piores índices de desenvolvimento, educação, pobreza, entre outros. Os meios de comunicação são todos de sua família. Sem falar que agora, os prédios públicos, praças, pontes, viadutos, e tudo público que pode ser nomeado, carregam o nome dos familiares. E este sobrenome inventado. Derivado de uma arrogância de seu avó que desejava ser chamado de Sir, como os engenheiros ingleses. Obrigou, então, que todos o chamassem de Sir Ney – Ney, este sim, era seu primeiro nome – mas em um estado sem educação, com o passar do tempo, aconteceu o mesmo que acarretou na palavra “forró”. E formou a “família Sarney”.
Família esta que confunde sua história com a história do estado do Maranhão. No entanto, esta história, por não ser feliz como nos contos de fadas, fez com que Sarney tivesse que concorrer ao senado pelo estado do Amapá! Estranhos caminhos que tomam nossos políticos... Será que tem tanto tempo que a oposição deseja a presidência do Senado, que ela está plantando denúncias há 20 anos? Considerando que a oposição pudesse prever que ele acabaria na cadeira do presidente do Senado...
Mas nem todos são oposição. Não, Sarney conta com fiéis defensores: Renan Calheiros e Fernando Collor. E ainda: Lula! Acho que, mesmo se eu estivesse certa, não aceitaria a defesa desses nomes. Renan e Collor. Mesmo as pessoas que não se lembram o que estes fizeram, associam seus nomes à corrupção e falcatruas. Que pela tropa. E o Lula se afundando junto.
Minha mais nova diversão é enviar email aos órgãos públicos. E o principal alvo tem sido o Senado. Às vezes para todos os Senadores, às vezes para alguns, com mensagens específicas. Até hoje só tive uma resposta. Não importa. É um ótimo meio de comunicação, e ótima forma de mostrar que estamos acompanhando. Afinal, Brasília é longe e às vezes fica difícil “sair às ruas” para sentir o que pensa o povo. Então mando tudo para lá. Simples assim.
O presidente do Senado, então, o que não falta são denúncias contra ele. Sua defesa? De que tudo não passa de perseguição política por grupos que queriam a cadeira em que está sentado. Estranha explicação. Por dois motivos: (1) porque o concorrente à cadeira é do PT, que está forçando todos a apoiar o Sarney; (2) porque fazem denúncias contra Sarney desde que ele foi presidente do Brasil. Ou até mesmo, desde antes. Mas nesta época eu ainda não estava aqui.
O estado que está – e sempre esteve – sob domínio de sua família tem os piores índices de desenvolvimento, educação, pobreza, entre outros. Os meios de comunicação são todos de sua família. Sem falar que agora, os prédios públicos, praças, pontes, viadutos, e tudo público que pode ser nomeado, carregam o nome dos familiares. E este sobrenome inventado. Derivado de uma arrogância de seu avó que desejava ser chamado de Sir, como os engenheiros ingleses. Obrigou, então, que todos o chamassem de Sir Ney – Ney, este sim, era seu primeiro nome – mas em um estado sem educação, com o passar do tempo, aconteceu o mesmo que acarretou na palavra “forró”. E formou a “família Sarney”.
Família esta que confunde sua história com a história do estado do Maranhão. No entanto, esta história, por não ser feliz como nos contos de fadas, fez com que Sarney tivesse que concorrer ao senado pelo estado do Amapá! Estranhos caminhos que tomam nossos políticos... Será que tem tanto tempo que a oposição deseja a presidência do Senado, que ela está plantando denúncias há 20 anos? Considerando que a oposição pudesse prever que ele acabaria na cadeira do presidente do Senado...
Mas nem todos são oposição. Não, Sarney conta com fiéis defensores: Renan Calheiros e Fernando Collor. E ainda: Lula! Acho que, mesmo se eu estivesse certa, não aceitaria a defesa desses nomes. Renan e Collor. Mesmo as pessoas que não se lembram o que estes fizeram, associam seus nomes à corrupção e falcatruas. Que pela tropa. E o Lula se afundando junto.
Minha mais nova diversão é enviar email aos órgãos públicos. E o principal alvo tem sido o Senado. Às vezes para todos os Senadores, às vezes para alguns, com mensagens específicas. Até hoje só tive uma resposta. Não importa. É um ótimo meio de comunicação, e ótima forma de mostrar que estamos acompanhando. Afinal, Brasília é longe e às vezes fica difícil “sair às ruas” para sentir o que pensa o povo. Então mando tudo para lá. Simples assim.
domingo, 2 de agosto de 2009
Divagações
Li em um livro de Schopenhauer uma analogia que ele fazia entre a paixão e uma boa idéia, que a gente pensa que nunca irá esquecer, mas acaba esquecendo, e por isso, devemos escrever toda boa idéia que temos.
Eu tento fazer isso. Estou sempre comprando novas cadernetas para poder anotar todas as minhas idéias. Chegou até a funcionar durante uma época em que eu escrevia tudo na caderneta, ela estava sempre na minha bolsa, mas tenho a impressão de que eu só escrevia porque estava havia bebido. Aparentemente, depois de beber um pouco, as idéias parecem sempre muito melhor. Mas eu não poderia dizer se o que eu pensei era melhor ou pior do que penso normalmente, já que não costumo ler o que escrevo.
Vejo filmes e leio livros em que as pessoas, já velhinhas ou suas filhas e netas, lêem diários de uma juventude que já aconteceu há muito tempo e acho o máximo. A memória de todo o romance, as amizades, a lembrança de tudo o que aconteceu. E quero guardar todas as minhas memórias para quando eu estiver velhinha. Como se agora ainda não fosse o tempo de ler. Até porque, algumas anotações não são tão antigas, e poucos anos não são suficientes para não nos fazer sofrer ao lembrar certas coisas.
Engraçado como às vezes tenho a impressão de que poderia escrever uma dissertação inteira sobre um pequenino assunto, mas sempre quando estou andando ou na rua fazendo algo. E quando estou escrevendo ou no computador, parece que a cabeça vai se esvaziando, que o assunto no fim das contas não era tão interessante ou tão extenso.
Fico pensando como seria escrever a dois séculos atrás. Imagina, com canetas de pena, escrever a luz de velas, e depois, ter de revisar o que foi escrito. Além do inconveniente de a tinta manchar ao se esbarrar. Será que realmente revisava-se, alterava-se e se passava a limpo tudo o que era escrito? Imagino o trabalho que não dava passar todo um trabalho a limpo, com uma caneta de pena. Não é a toa que era este o trabalho de padre, só mesmo uma pessoa muito desapegada, calma e tranqüila, para ter um trabalho desses. Ou, então, correriam o risco dela ter um acesso de loucura e começar a rasgar todos os papéis que estivesse compilando. Para ser sincera, não chego a duvidar que alguns tenham de fato escondido parte do trabalho, só para não ter que transcrever tudo.
E agora, temos o computador. Que altera tudo na maior facilidade. Que é capaz de produzir quantas cópias desejarmos. Mas a facilidade de alterar é tão grande, que às vezes podemos perder um original, depois de tantas mudanças, que no fim, o trabalho já não tem mais semelhanças com a idéia.
E assim, seguimos mudando sempre. Agora mudamos com mais facilidade. Agora, mudamos com maior agilidade. O que ficou para trás, já foi alterado, e pode facilmente ser esquecido. Afinal, com tantas mudanças, como podemos nos lembrar de tudo? É humanamente impossível. E penso que talvez seja por isso que algumas idéias não rendem tanto. Porque quando vou escrever sobre elas, já estou pensando em outra coisa. Já tive novas informações, já tive novas idéias, e as antigas, já não são tão interessantes.
Tudo muda tão rapidamente hoje em dia, que é difícil acompanhar. Um sinal, é a produção diária de jornal. Como é possível produzir notícia interessante todo dia? E ainda, como é possível acompanhar tudo que está sendo produzindo, e não esquecer dos clássicos?
Não, não é possível. Por isso, o estresse e a depressão foram os males do século passado, e possivelmente o pânico será o mal deste século. Ninguém agüenta a pressão. É simplesmente muita coisa. É simplesmente impossível. E nós, somos simplesmente humanos. E não devemos nunca esquecer. Por isso devemos prestar atenção em manifestações como “Nadismo” ou “Slow Food”, que nos fazem lembrar que a vida deve ser vivida com calma.
O que parece ser bem difícil esses dias...
Eu tento fazer isso. Estou sempre comprando novas cadernetas para poder anotar todas as minhas idéias. Chegou até a funcionar durante uma época em que eu escrevia tudo na caderneta, ela estava sempre na minha bolsa, mas tenho a impressão de que eu só escrevia porque estava havia bebido. Aparentemente, depois de beber um pouco, as idéias parecem sempre muito melhor. Mas eu não poderia dizer se o que eu pensei era melhor ou pior do que penso normalmente, já que não costumo ler o que escrevo.
Vejo filmes e leio livros em que as pessoas, já velhinhas ou suas filhas e netas, lêem diários de uma juventude que já aconteceu há muito tempo e acho o máximo. A memória de todo o romance, as amizades, a lembrança de tudo o que aconteceu. E quero guardar todas as minhas memórias para quando eu estiver velhinha. Como se agora ainda não fosse o tempo de ler. Até porque, algumas anotações não são tão antigas, e poucos anos não são suficientes para não nos fazer sofrer ao lembrar certas coisas.
Engraçado como às vezes tenho a impressão de que poderia escrever uma dissertação inteira sobre um pequenino assunto, mas sempre quando estou andando ou na rua fazendo algo. E quando estou escrevendo ou no computador, parece que a cabeça vai se esvaziando, que o assunto no fim das contas não era tão interessante ou tão extenso.
Fico pensando como seria escrever a dois séculos atrás. Imagina, com canetas de pena, escrever a luz de velas, e depois, ter de revisar o que foi escrito. Além do inconveniente de a tinta manchar ao se esbarrar. Será que realmente revisava-se, alterava-se e se passava a limpo tudo o que era escrito? Imagino o trabalho que não dava passar todo um trabalho a limpo, com uma caneta de pena. Não é a toa que era este o trabalho de padre, só mesmo uma pessoa muito desapegada, calma e tranqüila, para ter um trabalho desses. Ou, então, correriam o risco dela ter um acesso de loucura e começar a rasgar todos os papéis que estivesse compilando. Para ser sincera, não chego a duvidar que alguns tenham de fato escondido parte do trabalho, só para não ter que transcrever tudo.
E agora, temos o computador. Que altera tudo na maior facilidade. Que é capaz de produzir quantas cópias desejarmos. Mas a facilidade de alterar é tão grande, que às vezes podemos perder um original, depois de tantas mudanças, que no fim, o trabalho já não tem mais semelhanças com a idéia.
E assim, seguimos mudando sempre. Agora mudamos com mais facilidade. Agora, mudamos com maior agilidade. O que ficou para trás, já foi alterado, e pode facilmente ser esquecido. Afinal, com tantas mudanças, como podemos nos lembrar de tudo? É humanamente impossível. E penso que talvez seja por isso que algumas idéias não rendem tanto. Porque quando vou escrever sobre elas, já estou pensando em outra coisa. Já tive novas informações, já tive novas idéias, e as antigas, já não são tão interessantes.
Tudo muda tão rapidamente hoje em dia, que é difícil acompanhar. Um sinal, é a produção diária de jornal. Como é possível produzir notícia interessante todo dia? E ainda, como é possível acompanhar tudo que está sendo produzindo, e não esquecer dos clássicos?
Não, não é possível. Por isso, o estresse e a depressão foram os males do século passado, e possivelmente o pânico será o mal deste século. Ninguém agüenta a pressão. É simplesmente muita coisa. É simplesmente impossível. E nós, somos simplesmente humanos. E não devemos nunca esquecer. Por isso devemos prestar atenção em manifestações como “Nadismo” ou “Slow Food”, que nos fazem lembrar que a vida deve ser vivida com calma.
O que parece ser bem difícil esses dias...
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Quanto mais se fala, menos há a dizer...
Estava conversando hoje de manhã com minha mãe como parece que a proporção de quanto uma pessoa fala é inversamente proporcional a quanto ela tem para dizer.
Tenho reparado nisso. Em geral, essas pessoas que não conseguem ficar sem falar um minuto, são as menos interessantes, e conseqüentemente, mais chatas. Talvez seja justamente a falta de informação, cultura, diversidade de pensamentos, que faça a pessoa que não tem nada para fazer –pensar- nos momentos de silêncio. E por isso, desanda-se a falar a cada segundo. E se é para falar ininterruptamente, bom, é preciso inventar um jeito de se prolongar o que se tem para falar.
E aí chegamos às conversas populares, às fofocas e aos fuxicos. Não satisfeitos em falar da vida alheia – pode ainda ser da vida própria-, fala-se com riqueza de detalhes e com reprodução integral de todos os diálogos. Dessa forma, cada conversa é uma forma de enriquecer a próxima, já que na seguinte é possível repetir a repetição. É o milagre da multiplicação. Que afortunados seríamos se conseguíssemos fazer o mesmo com dinheiro. Aumento em progressão geométrica...
E assim, uma informação que poderia ser repassada em 5 minutos, concordaram ou não com a idéia, consegue render, nas bocas de pessoas experientes, umas duas horas, com reprodução integral de todos os argumentos, e quem sabe, uns extras, só para tornar a conversa mais interessante.
E quanto mais se fala, menos se lê, menos se presta atenção ao que acontece ao nosso redor, e os dias vão passando assim, sem nada a acrescentar... Sem a beleza dos romances e sem as cores dos quadros impressionistas...
Tenho reparado nisso. Em geral, essas pessoas que não conseguem ficar sem falar um minuto, são as menos interessantes, e conseqüentemente, mais chatas. Talvez seja justamente a falta de informação, cultura, diversidade de pensamentos, que faça a pessoa que não tem nada para fazer –pensar- nos momentos de silêncio. E por isso, desanda-se a falar a cada segundo. E se é para falar ininterruptamente, bom, é preciso inventar um jeito de se prolongar o que se tem para falar.
E aí chegamos às conversas populares, às fofocas e aos fuxicos. Não satisfeitos em falar da vida alheia – pode ainda ser da vida própria-, fala-se com riqueza de detalhes e com reprodução integral de todos os diálogos. Dessa forma, cada conversa é uma forma de enriquecer a próxima, já que na seguinte é possível repetir a repetição. É o milagre da multiplicação. Que afortunados seríamos se conseguíssemos fazer o mesmo com dinheiro. Aumento em progressão geométrica...
E assim, uma informação que poderia ser repassada em 5 minutos, concordaram ou não com a idéia, consegue render, nas bocas de pessoas experientes, umas duas horas, com reprodução integral de todos os argumentos, e quem sabe, uns extras, só para tornar a conversa mais interessante.
E quanto mais se fala, menos se lê, menos se presta atenção ao que acontece ao nosso redor, e os dias vão passando assim, sem nada a acrescentar... Sem a beleza dos romances e sem as cores dos quadros impressionistas...
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Dias Nublados

É uma tendência natural do Homem desenvolver teorias para explicar tudo o que acontece ao seu redor. Perguntar “por quê” não é um privilégio das crianças. Os adultos também vivem atormentados por essas duas palavrinhas, tão pequeninas, mas que nos afligem, esperando respostas que, muitas vezes, só mesmo nossa imaginação é capaz de solucionar.
E é neste espírito de preencher as lacunas de minha ignorância – minha, porque muitas vezes já há uma boa resposta, mas que desconheço, e preciso de minha própria- que passo a vida encontrando respostas. Diga-se de passagem, é divertidíssimo solucionar mistérios, mesmo que as respostas sejam inventadas.
Por isso criei minha teoria sobre os dias nublados. Sou atacada por um sono terrível em dias nublados – e quem me conhece, sabe que possuo um sono quase incontrolável-, enquanto normalmente passo muito bem disposta nos dias ensolarados. Sei que essa reação não é privilégio meu, e aqui vai então minha teoria:
Embora sejamos o primeiro animal domesticado, e reprimimos nossos instintos há anos, no início éramos catadores e caçadores. Imagina a meleca de ir caçar na chuva, correr o risco de atolar na lama (algumas sabemos bem a sensação), de cair árvores, de ser levado em enchentes. Não é nada recomendável sair na chuva. A tendência dos animais é ficar entocado enquanto chove, e sendo assim, sem comida.
Se não é possível ir buscar comida, a forma mais inteligente do corpo reagir é não gastando energia. O que causa uma letargia danada. Como os ursos no inverno. Tudo o que se quer em dias nublados é permanecer deitado e pensar o mínimo possível –afinal, pensar gasta muita energia, estudar então nem se fala, como nos ensinou o Roberto-. Já nos dias ensolarados, somos inundados por uma disposição e alegria, que nos permitiria percorrer longas distâncias sem problemas, porque justamente nesses dias deveríamos procurar o máximo de comida possível, e de repente, até esstocar um pouco.
Por isso, somos alegres e agitados em dias ensolarados e em dias nublados mais parece que todos foram atacados pelo mosquito tse-tse.
Pode não ser nada disso, mas gostei muito da minha teoria. E como sempre acabamos acreditando no que nos é mais confortável, acredito piamente nela!
E é neste espírito de preencher as lacunas de minha ignorância – minha, porque muitas vezes já há uma boa resposta, mas que desconheço, e preciso de minha própria- que passo a vida encontrando respostas. Diga-se de passagem, é divertidíssimo solucionar mistérios, mesmo que as respostas sejam inventadas.
Por isso criei minha teoria sobre os dias nublados. Sou atacada por um sono terrível em dias nublados – e quem me conhece, sabe que possuo um sono quase incontrolável-, enquanto normalmente passo muito bem disposta nos dias ensolarados. Sei que essa reação não é privilégio meu, e aqui vai então minha teoria:
Embora sejamos o primeiro animal domesticado, e reprimimos nossos instintos há anos, no início éramos catadores e caçadores. Imagina a meleca de ir caçar na chuva, correr o risco de atolar na lama (algumas sabemos bem a sensação), de cair árvores, de ser levado em enchentes. Não é nada recomendável sair na chuva. A tendência dos animais é ficar entocado enquanto chove, e sendo assim, sem comida.
Se não é possível ir buscar comida, a forma mais inteligente do corpo reagir é não gastando energia. O que causa uma letargia danada. Como os ursos no inverno. Tudo o que se quer em dias nublados é permanecer deitado e pensar o mínimo possível –afinal, pensar gasta muita energia, estudar então nem se fala, como nos ensinou o Roberto-. Já nos dias ensolarados, somos inundados por uma disposição e alegria, que nos permitiria percorrer longas distâncias sem problemas, porque justamente nesses dias deveríamos procurar o máximo de comida possível, e de repente, até esstocar um pouco.
Por isso, somos alegres e agitados em dias ensolarados e em dias nublados mais parece que todos foram atacados pelo mosquito tse-tse.
Pode não ser nada disso, mas gostei muito da minha teoria. E como sempre acabamos acreditando no que nos é mais confortável, acredito piamente nela!
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