Nos falta originalidade para quebrar as velhas tradições. Recentemente li uma matéria dizendo que, muito embora o brasileiro seja conhecido por sua criatividade, poucos eram os registros de produtos inovadores no mercado.
Mas a falta de originalidade nos ataca até nas coisas mais banais do dia-a-dia. Como nas justificativas. Esse mês o filho do presidente viajou num avião da FAB, com mais 15 pessoas, de São Paulo a Brasília. Não há norma nenhuma dizendo que isso pode. Viajar no avião da FAB justifica-se quando há interesse para a sociedade, quando há uma figura importante do governo trabalhando a nosso favor e precisa da proteção. Não era o caso.
E o pior é que a justificativa do governo para o descaso com o recurso público é que isso é costume. Sempre foi assim, e continua assim. Os outros governos fizeram e esse faz também.
O erro do outro não pode nunca justificar o nosso erro. Alguém jogar lixo no chão não é motivo para jogarmos também. Se assim fosse, não progrediríamos nunca. Imagina se agora vamos dizer que assaltar, traficar e matar são práticas comuns no rio, e a gente só continuou. Não cola, porque não é justificativa.
E vale lembrar que dinheiro público não é dinheiro sem dono. Dinheiro público deveria ser tratado com o maior respeito por todos, pois é fruto do nosso trabalho diário, dos nossos tantos impostos, e tem que ser usado para melhorar a nossa vida. Não a vida de 1, mas igualitariamente de todos. Tem que ser usado nas escolas, hospitais, transportes, saneamentos, redes pluviais, sistema elétrico, e todas as muitas e muitas coisas que são pagas com o nosso dinheiro. É o nosso dinheiro voltando para a gente. Por isso não pode, nunca, servir para atender a 1, e nem para usar a frase cretina de gente tapada “eu tô pagando, posso pegar pra mim”, ou ainda, o posso sujar, quebrar...
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Mal do Século
Não acredito que depressão seja um estado, ou sentimento, novo. Apenas seu nome, sua definição. O sentimento, no entanto, já é antigo. É comum em livros de 3 séculos atrás. As pessoas simplesmente iam perdendo a vontade de viver e definhavam até a morte.
Hoje, todo mundo é estressado e deprimido. Quem não tem um amigo bipolar, que alterna entre fases de euforia e atividades, inconseqüentes, e fases de reclusão. Somos todos estressados, o que favorece muito o surgimento da depressão. E como não ser?
Vivemos em uma cidade que engarrafa diariamente. Nem mais aos sábados e domingos podemos sair às ruas livres dos congestionamentos e buzinas – e como não poderia deixar de ser, sem os xingamentos, tão freqüentes no trânsito.
A política vai mal, e o atendimento público é péssimo. Os hospitais estão super lotados, sem médicos ou equipamentos, e cheios de infiltrações, ratos e baratas.
A polícia, grande parte corrupta, que se impõe na rua com seus fuzis ameaçando os transeuntes, pois somos todos suspeitos.
Os traficantes, que tomaram conta da cidade, estão sempre de olho, nas esquinas, vendo quem vem e quem vai, e se passar um distraído, ainda aproveita para assaltar. Se passar um fissurado, aproveita para vender...
As escolas andam com suas carteiras quebradas, banheiros interditados, professores neuróticos, sem segurança, funcionários ou, mesmo, comida.
E, em meio ao caos – claro, a cidade continua linda, mas ninguém vive só de beleza- leio que o atendimento psicológico oferecido pelos Médicos Sem Fronteiras no Complexo do Alemão chegará ao fim em novembro. Em uma comunidade que o Estado não consegue entrar, que nem o atendimento médico básico não consegue chegar.
Não basta mais só o atendimento médico oferecido pelo Estado. Precisamos, cada vez mais, do atendimento psicológico amplo, atendendo as comunidades. Mas como falar para o Estado começar a atender as pessoas que estão adoecendo por conta do abandono do próprio Estado?
Hoje, todo mundo é estressado e deprimido. Quem não tem um amigo bipolar, que alterna entre fases de euforia e atividades, inconseqüentes, e fases de reclusão. Somos todos estressados, o que favorece muito o surgimento da depressão. E como não ser?
Vivemos em uma cidade que engarrafa diariamente. Nem mais aos sábados e domingos podemos sair às ruas livres dos congestionamentos e buzinas – e como não poderia deixar de ser, sem os xingamentos, tão freqüentes no trânsito.
A política vai mal, e o atendimento público é péssimo. Os hospitais estão super lotados, sem médicos ou equipamentos, e cheios de infiltrações, ratos e baratas.
A polícia, grande parte corrupta, que se impõe na rua com seus fuzis ameaçando os transeuntes, pois somos todos suspeitos.
Os traficantes, que tomaram conta da cidade, estão sempre de olho, nas esquinas, vendo quem vem e quem vai, e se passar um distraído, ainda aproveita para assaltar. Se passar um fissurado, aproveita para vender...
As escolas andam com suas carteiras quebradas, banheiros interditados, professores neuróticos, sem segurança, funcionários ou, mesmo, comida.
E, em meio ao caos – claro, a cidade continua linda, mas ninguém vive só de beleza- leio que o atendimento psicológico oferecido pelos Médicos Sem Fronteiras no Complexo do Alemão chegará ao fim em novembro. Em uma comunidade que o Estado não consegue entrar, que nem o atendimento médico básico não consegue chegar.
Não basta mais só o atendimento médico oferecido pelo Estado. Precisamos, cada vez mais, do atendimento psicológico amplo, atendendo as comunidades. Mas como falar para o Estado começar a atender as pessoas que estão adoecendo por conta do abandono do próprio Estado?
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