Não acredito que depressão seja um estado, ou sentimento, novo. Apenas seu nome, sua definição. O sentimento, no entanto, já é antigo. É comum em livros de 3 séculos atrás. As pessoas simplesmente iam perdendo a vontade de viver e definhavam até a morte.
Hoje, todo mundo é estressado e deprimido. Quem não tem um amigo bipolar, que alterna entre fases de euforia e atividades, inconseqüentes, e fases de reclusão. Somos todos estressados, o que favorece muito o surgimento da depressão. E como não ser?
Vivemos em uma cidade que engarrafa diariamente. Nem mais aos sábados e domingos podemos sair às ruas livres dos congestionamentos e buzinas – e como não poderia deixar de ser, sem os xingamentos, tão freqüentes no trânsito.
A política vai mal, e o atendimento público é péssimo. Os hospitais estão super lotados, sem médicos ou equipamentos, e cheios de infiltrações, ratos e baratas.
A polícia, grande parte corrupta, que se impõe na rua com seus fuzis ameaçando os transeuntes, pois somos todos suspeitos.
Os traficantes, que tomaram conta da cidade, estão sempre de olho, nas esquinas, vendo quem vem e quem vai, e se passar um distraído, ainda aproveita para assaltar. Se passar um fissurado, aproveita para vender...
As escolas andam com suas carteiras quebradas, banheiros interditados, professores neuróticos, sem segurança, funcionários ou, mesmo, comida.
E, em meio ao caos – claro, a cidade continua linda, mas ninguém vive só de beleza- leio que o atendimento psicológico oferecido pelos Médicos Sem Fronteiras no Complexo do Alemão chegará ao fim em novembro. Em uma comunidade que o Estado não consegue entrar, que nem o atendimento médico básico não consegue chegar.
Não basta mais só o atendimento médico oferecido pelo Estado. Precisamos, cada vez mais, do atendimento psicológico amplo, atendendo as comunidades. Mas como falar para o Estado começar a atender as pessoas que estão adoecendo por conta do abandono do próprio Estado?
terça-feira, 17 de novembro de 2009
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