terça-feira, 2 de dezembro de 2008

A Pedra Coberta

Finalmente o metrô está chegando à Ipanema. Na verdade ainda falta 1 ano para começar a funcionar, mas está chegando. Sei que o túnel, pelo menos, já está aqui em baixo – passei muitos dias não só ouvindo os estrondos das explosões como, literalmente, sentindo a terra tremer.
Faz parte da obra do metrô um elevador que suba até o Cantagalo – comunidade nossa vizinha. Tem tempo que vejo os operários pendurados em cabos preparando a pedra do morro para construção do elevador. Mas que angústia que tem me dado ultimamente.
Todo dia chego ao trabalho pela rua Teixeira de Melo e deparo-me com o morro, que embora seja cheio de entulho em sua base, era até agradável pela presença de árvores. Mas agora elas, as poucas que ainda existiam, foram embora. E o que se encontra no lugar é uma grande cobertura de cimento.
Não tenho dúvidas de que esse elevador facilitará a vida de muita gente. Recentemente desci o Cantagalo e quase morri, passei dias com a perna dolorida (desci a altura equivalente a 33 andares), imagino o que não seja ter que subir e descer todos os dias.
Mas essa massa de cimento que cobre o morro me dá uma angústia, uma asfixia. Porque antes, ali, havia vegetação, e agora está completamente vedado, sem espaço para terra respirar. Parece até maluquice quando penso no que estou dizendo. Acho até que seja mesmo. Mas às vezes tenho a sensação que estamos sento soterrados de cimento e concreto na cidade. Aqui, na zona sul, ainda temos o alívio da praia, de poder olhar para a imensidão sem fim do mar e saber que há muito espaço para respirar.
O problema não é simplesmente morar em cidade grande, é morar nesta cidade grande, sem ordem alguma, sem planejamento, na qual as construções vão surgindo onde bem entendem, sem prever o espaço dos transeuntes. E eu adoro dar uma de transeunte e andar pelas ruas. (Confesso que muitas vezes ando com medo dos assaltos)
Os últimos acontecimentos em Santa Carina, Rio e Espírito Santo têm me lembrado muito o que aconteceu nos EUA. Na verdade, é tudo muito parecido. O mais chocante não é a força da natureza, o volume das chuvas. Isso já conhecemos, já sabemos e previmos. O impressionante é o descaso dos responsáveis, que deveriam ter feitos obras e removido a população. É a política que tem que mudar, aumentando o planejamento urbano para que áreas verdes façam cada vez mais parte da cidade, para que o sistema de escoamento das águas da chuva seja sempre eficiente, educando a população para que ela não construa suas casas em locais de risco iminente e não jogue lixo nas ruas entupindo os bueiros e aumentando o risco de doenças.
São tantas coisas que são deixadas de lado. São tantos os abandonos que sofremos.
Sei que todo dia que olho para pedra coberta me dá uma sensação como se respirar estivesse cada vez mais difícil...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

O começo de Maria

Em homenagem ao futuro blog da Aline. Acho que eu fugi do tema. Não foi início, foi começo. Mas talvez eu continue depois e fale também sobre o início... beijocas

Maria gostava da vida que levava. Estudava de manhã, fazia faculdade de letras, tinha bons amigos, bons professores. À tarde Maria dava aulas particulares, sobretudo de português, para meninos e meninas cursando o ensino fundamental. Ela ainda não tinha se acostumado com essa expressão: ensino fundamental. Ao invés de melhorar a qualidade do ensino oferecido no país, o que mais sabe fazer o MEC é mudar os nomes. O resultado, a conversa entre pais, filhos, avós e netos estava ficando cada vez mais difícil.
Mas apesar de gostar de sua vida, Maria não se sentia satisfeita. Era como se ainda faltasse tanta coisa a ser feita. Mesmo que já tivesse revisado toda a matéria dada na faculdade, ou preparado as aulas de seus alunos, ou ainda lavado a louça.
Resolveu Maria que leria mais. Sairia todos os dias, sentaria na praça e leria os mais diversos romances escritos pelo mundo. Fez-lhe muito bem, Maria via crianças que brincavam nos balanços, cachorros que corriam atrás de pombos, ou ainda casais apaixonados, enquanto lia seu livro, sentada em um banco sob uma árvore.
Mas ainda assim, Maria era sempre invadida por uma ansiedade de que havia mais coisas a serem feitas na vida. Por isso entrou no curso de línguas. Resolveu falar alemão. Devia haver muita coisa a ser dita em alemão, que foi a língua mãe de tantos filósofos. Mas ainda assim, Maria não estava em paz. Sabia que havia muito mais.
No curso Maria conheceu uma moça que fazia cerâmica nos fins de semana, e que garantiu que com uma produção manual, de pegar os barros com as próprias mão e transformá-lo, dar-lhe forma, Maria encontraria sua paz. Por isso, Maria passou seus sábados no ateliê. Sentiu um prazer imenso. Fazia bazares para expor suas obras.
Mas ainda não era isso. Ainda faltava alguma coisa. Foi quando um de seus alunos contou que os pais faziam caminhadas uma vez ao mês, em noite de lua cheia. Que o próprio aluno já tinha ido algumas vezes e que eram fantásticas, sem lanterna enchergava-se tudo.
Maria, então, juntou-se ao grupo. Na lua cheia, lá estava Maria com seus tênnis de caminhada, sua garrafa d’água, sua disposição de ver a beleza da noite. Dormia muito melhor depois desses passeios. Mas ainda não estava satisfeita.
Por recomendações, Maria começou a fazer aulas de dança, um curso para iniciação na escrita, lia histórias e contos em um asilo, viajava para lugares novos, conhecia pessoas diferentes, comia sempre comidas novos, resolveu fazer aulas de culinária, saltou de asa delta.
Mas o que ela tinha começado a perceber é que entre tantas coisas para fazer na vida o melhor era começar. Começar de tudo, aprender um pouco de tudo, nunca deixar de aprender. E é por isso que Maria, de tempos em tempos, inventa uma novidade para começar.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Tempo para Tudo

Sei que a vida tem seu ritmo, sei que tudo tem seu tempo.

TEMPO PARA TUDO
“Tudo tem seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu:
há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou;
tempo de matar e tempo de curar; tempo de derribar e tempo de edificar;
tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar de alegria;
tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar;
tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de deitar fora;
tempo de rasgar e tempo de coser; tempo de estar calado e tempo de falar;
tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz.”
(Eclesiastes 3, 1-8)

E eu que comecei para falar de coisas tão diversas à Bíblia, de assuntos tão carnais. Mas quando comecei a escrever, lembrei dessa passagem. Acho linda. É uma das partes poéticas da Bíblia.

Na França, agora é tempo de festa: foi aniversário do José ontem. Aqui, é tempo de saudade.
Mas assim vamos indo em frente. Alternando, sucessivamente, e eternamente, os tempos. E vamos sempre ansiando pelo próximo, como as crianças que esperam seu presente de Natal.
Que por sinal já está chegando também o seu tempo. Tempo de presentes, festas, encontros. Já não é de hoje que sou a favor de diminuirmos a quantidade de presentes que são distribuídos por aí. (Já aviso às implicantes: o que direi agora não quer, em hipótese alguma, dizer que quero suspender o Amigo Oculto Risky!) São presentes nos trabalhos, escolas, faculdades, grupo de bar, etc... Eu adoro dar presentes, mas quando sei que o presente combina com quem ganhará. Não esses presentes obrigados de colegas de trabalho – afinal ninguém quer ser o chato que não participa do amigo oculto, que ainda bem não teremos esse ano no meu trabalho.
Sou super a favor das confraternizações. Isso sim é o espírito natalino. Estar de bem com o mundo. Encontrar pessoas queridas. Compartilhar momentos, idéias, danças, fotos... e comidas! Espalhar solidariedade. Espalhar a consciência de que o próximo também tem seu lugar e seus direitos, e que pensando em todos, devemos respeitar esse direitos.
E eu, sigo aqui, esperando a continuidade das seqüências. Entrando no clima natalino.
Vamo, que vamo!!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Festejos de Fim de Ano

Inicialmente a proposta era começar o blog apresentando todos os candidatos ao cargo de prefeito do Rio, ou pelo menos os mais conhecidos, mas ainda selecionando sobravam candidatos. Confesso, me encheu o saco a idéia de escrever sobre 7 dos nossos 12 (!!!) candidatos. Tivemos candidatos em abundância enquanto muitas cidades do interior do Brasil tiveram 1 ou 2 candidatos. Será que foi o estado degradante que se encontra a nossa tão querida cidade que motivou o aparecimento de tantos interessados, ou a perspectiva de uma copa do mundo e olimpíadas que trarão rios de fundos aos rios que fizeram surgir candidatos por todos os lados, como ratos que saem dos bueiros em dia de chuva?
Não importa. Eles estiveram lá, foi eleito um único, como deve ser, e acabou-se o tempo das promessas.
Mas voltando à idéia do blog, o nome não é referência à época das eleições. Posicionamento político, propostas concretas, idéias e opiniões devem,constantemente, fazer parte de nossas vidas, e não a cada dois anos. Devemos trabalhar diariamente para melhorar a nossa cidade, melhorar o nosso futuro, o futuro de nossos filhos, de nossos sobrinhos, de nossos netos. Tenho um sobrinho que mora na França, e espero que o Rio seja sempre convidativo, que ele não venha sempre com medo de nossa violência crescente. Que essa realidade faça parte do nosso passado negro, mas passado, e que o futuro seja de uma cidade em paz com cidadãos simpáticos e educados.
Neste dia 31 de Dezembro teremos muito o que comemorar, chegará ao fim a Era César Maia. Finalmente, após 16 anos participando do governo (12 como prefeito) ele foi retirado do cargo. Só não sei se o dia 1° de Janeiro também terá motivo para tantos festejos. Assumirá a prefeitura Eduardo Paes, que como se sabe, trabalhou por muitos anos nessa prefeitura atual inoperante. É quase o voto do continuísmo. Se ele não fez nada quando fazia parte da prefeitura, por que faria agora??
Mas realmente espero que este dia 1° não seja como o dia seguinte das festas, em que acordamos de ressaca ao lado de um desconhecido e que não vemos a hora de nos livrar. Espero que o Eduardo Paes nos surpreenda e se mostre o verdadeiro príncipe, que veio nos salvar em seu cavalo branco.
E que todos da cidade maravilhosa possam se salvar no fim da história.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

O Presidente Supremo

mandando língua pra quem?




Acho que o Presidente do STF anda se confundindo com seu título. Ser presidente DO Supremo Tribunal, não quer dizer ser Presidente Supremo do Brasil. Não satisfeito com suas atribuições no Judiciário – que eu sempre acreditei que fossem muitas, a julgar pela demora em se julgar um caso – ele está avocando as atribuições do Legislativo e do Executivo!!!
Acho que nunca tivemos um Presidente de STF tão Onipotente!!

Sua interpretação é que se os outros não fazem, ele faz! – o que em época de campanha já daria um slogan, embora viole a separação constitucional dos poderes, que, ao menos em tese, são independentes e harmônicos- Então por isso ele está editando, quase semanalmente, súmulas vinculantes, que antes tinham como função orientar o entendimento dos tribunais quanto ao julgamento de casos semelhantes após a apreciação de “muitos do mesmo”. Mas, com toda a criatividade que nele reina, ele achou que elas teriam mais valor se tivessem efeito de leis, o Supremo agora não precisa mais apreciar muitos casos para ter uma opinião e reger a atuação da polícia (que antes era subordinada ao executivo).

Apesar de nunca ter recebido um voto do povo – chegou lá por indicação- acredita estar fazendo o que o povo quer, e está nos convencendo de que vivemos em um estado policial. É bem verdade que nunca tinha visto tantos casos de atuação da PF, ainda mais com tantos nomes de políticos e lobistas. – Lobista: nome que quando eu era criança era pejorativo, mas aparentemente hoje em dia é trabalho digno de orgulho para os atuantes – Mas ao invés de provar que seria tudo perseguição política, os casos são dissolvidos no judiciário pelos motivos mais estapafúrdios (como o uso de algemas). Tudo bem soltar quem está preso de forma ilegal, mas ele anda soltando todos os corruptos que dilaceram os cofres públicos!! Até onde eu saiba, esta é uma das maiores afrontas que se pode fazer à União! Crime imperdoável e imprescritível.
Agora, mais uma vez fazendo uso das prerrogativas do executivo, conseguiu destituir a cúpula da ABIN!!

Freqüentemente tem sido capa do jornal O GLOBO. O que será que ele está buscando com tanta promoção?? Não é boa popularidade que está buscando, afinal suas decisões não têm sido como o povo esperava, mas acho que ele levou à sério a antiga frase: falem mal, mas falem de mim...


Mas eu bem que gostaria de ter poderes como os do nosso presidente do STF: prender e soltar quem eu quiser!! Pena que a gente não partilha os gostos, pois eu prenderia bandidos, e soltaria das grades todos os meus amigos, família, vizinhos... Alguém ainda mora sem grades na porta?

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

ALESSANDRO MOLON



PT 13, sem coligação
São estas as informações que constam no site oficial de campanha do Molon:
Conheça as 13 ações que irão fazer do Rio uma cidade segura para todos:
1. Espaços urbanos seguros: Implantar um programa municipal de segurança pública em parceria com as esferas estadual e federal. A iluminação pública integra o programa.

2. Territórios da cidadania: Implantar, em regiões de baixo IDH, uma versão urbana do bem sucedido programa homônimo do governo federal, onde todas as ações públicas teriam gerenciamento único.

3. Gestão cidadã: Racionalizar a máquina pública com diminuição do número de secretarias de 23 para 13 e implantar o orçamento participativo e o governo online, ampliando a participação popular e o controle social.

4. Ir, vir e morar: Desenvolver uma estratégia integrada nas áreas de infra-estrutura e desenvolvimento urbano, implantando o bilhete único e uma política habitacional integrada com a política de transportes.

5. Centro vivo: Revitalizar o Centro da cidade, com estímulo à habitação e reforma da área portuária em parceria com o Governo Federal, criando as condições para o surgimento de um complexo com centro de convenções, rede hoteleira, entretenimento e gastronomia.

6. Cidade estratégica: Fazer do Rio a capital do conhecimento, da inovação, da cultura, do turismo e do entretenimento, gerando emprego e renda em um novo ciclo de desenvolvimento para a cidade.

7. Cidade saúde: Estabelecer com o governo federal Pacto de Gestão do Sistema Único de Saúde, assumindo a responsabilidade plena da gestão da saúde pública na cidade do Rio e equacionando os graves problemas existentes. O destaque do Pacto será a ampliação do Programa Saúde da Família.

8. Cidade escola: Implantar política integral de educação, que permita à cidade do Rio de Janeiro atingir a liderança de qualidade (IDEB) entre todas as capitais brasileiras, investindo na formação continuada e nas condições de trabalho dos profissionais da educação.

9. Cidade criança: Priorizar a educação de 0 a 6 anos, tendo em vista que nesse período são construídos os alicerces para a vida do cidadão, universalizando o sistema de creches nos 4 anos de governo nos bairros com menor IDH.

10. Cidade cultura: Incluir o Rio no Sistema Nacional de Cultura, implantar o Conselho e o Fundo Municipal de Cultura. Definir uma política cultural, como instrumento decisivo de geração de cidadania.

11. Cidade limpa: Investir em saneamento e proteção ambiental, priorizando as áreas que se adensaram nos últimos 30 anos e aquelas com menor IDH – coleta seletiva e reciclagem do lixo serão destaques.

12. Cidade legal: Aprovar o Plano Diretor até o final de 2009 com revisão das principais leis que regem a cidade, como o Regulamento de Zoneamento e Código de Obras, que data de 1970.

13. Cidade olímpica: Implantar política de massificação do esporte e preparar a cidade para as Olimpíadas de 2016
Procurei alguma coisa mais prática, de como efetivamente fazer tudo isso, mas não encontrei no site. Sua vice é Léa Tiriba, ambientalista e educadora.
Sua campanha vem bem fraquinha porque, como sabemos, nosso presidente Lula não quer fazer gravação para campanha dele. (Aliás, não entendo como o vice do Lula pode ter uma voz mais forte nessa questão do que o próprio PT, mas como estou longe de entender a prática na cidade da Anita, continuemos) Com a popularidade que Lula conseguiu nos últimos anos, sobretudo por causa do bolsa-escola, sua aparição ao lado de Molon incentivaria os beneficiados dos programas a votar 13.
Acho que nos 13 itens ele abordou a maioria dos temas – se bem que numa cidade com tantos problemas acho que ainda conseguimos incluir muitos outros - mas senti falta de um link em cada ponto que levasse a um texto elucidativo de como realizar na prática a meta. Por exemplo, dizer que assumirá a “responsabilidade plena da gestão da saúde pública na cidade do Rio” (item 7) na cidade da dengue, que tem um sistema super precário de saúde, COMO ele vai assumir plenamente essa função?? Com que pessoas e que verba? Mas concordo que um bom começo para melhoria da saúde é programa médico de família. Tem que haver um acompanhamento, e sobretudo tomar medidas preventivas, que além de serem mais saudáveis, pensando na administração da cidade, são mais baratas.

(item 4) Sempre fui muito a favor do bilhete único pro transporte. Como que se pode pensar num planejamento da cidade, e mais, evitar favela, se as pessoas pagam R$ 250,00 de passagem?! Ou mais!!! Isso é quase o salário mensal!( O difícil é convencer a máfia dos transportes disso...) Tem que ser feita uma malha de metro ( porque o que temos até agora é só linha, e não malha!) que podia muito bem rolar uma parceria Município-estado-Privado. E integrar todo mundo, fazendo o bilhete valer 1 viagem do início ao fim, com quantas trocas forem necessárias, que ainda traz o benefício de diminuir o número de ônibus nas ruas. Olha o trânsito como vai melhorar! E o bom humor dos motoristas!!

(Item 9) Sabe quanto custa uma creche na zona Sul? Das mais baratas e por ½ período? Pelo menos R$ 1.000,00. É muito caro. Para quem precisa trabalhar (não estou mais falando de zona sul, mas do povão) é muito difícil porque na idade de 0 a 6 anos não tem opção de onde deixar o filho. Nem pensem nas adolescentes irresponsáveis, pensa no casal que trabalha todo dia. A única opção que a maioria das pessoas encontra é uma vizinha que recebe pra ficar com os bebês, mas que muitas vezes cuida deles super mal, sem higiene nenhuma, nem cuidado ou atenção. Tem que haver lugares fiscalizados, com o mínimo de estrutura para acolher essas crianças.

É isso. Cansei por hoje. Mas não pensei que eu estou fazendo campanha pro Molon. Mas acho que se um candidato tem propostas boas a gente deve sim pensar a respeito e cobrar, não importa quem ganhe, que seja feito o que a população precisa. Se um tem boas soluções, por que não usar?? Vamos acabar com a politicagem barata, e vamos integrar todo mundo!

Preferências

Andei conversando com várias pessoas sobre as eleições 2008 para prefeito. Acho que já ouvi eleitores de 5 candidatos diferentes
- Eduardo Paes (PMDB, coligação UNIDOS PELO RIO)
- Alessandro Molon (PT, sem coligação)
- Chico Alencar (PSOL, coligação FRENTE RIO SOCIALISTA)
- Fernando Gabeira (PV, coligação FRENTE CARIOCA)
- Jandira Feghali (PC do B, coligação MUDANÇA PRA VALER)
Além de todos os outros que não têm a menor idéia do que fazer com o voto. Mas se tem uma coisa que todos até agora concordaram é que o Crivella (PRB, coligação VAMOS ARRUMAR O RIO) não pode ganhar. Bom, já é uma esperança. Ele tem muita gente do lado dele, mas também tem muita gente contra. Acho que nenhum outro candidato tem um índice de reprovação tão grande, nem a Jandira com o apoio ao aborto.
Até a vendedora de uma loja que fui ontem com Ju, quando me ouviu comentando isso, falou que essa é a preocupação dela também. Que "nada contra os evangélicos", mas não dá para ter como prefeito o Crivella, com apoio da Universal (obs: a vendedora foi batizada na Igreja Presbiteriana).
Está no jornal O GLOBO de hoje que saiu a exoneração de 14 funcionários do Crivella no Senado. Segundo ele é porque esses funcionários, devotados que são, pediram para serem demitidos e poderem trabalhar na campanha eleitoral no Rio. E que não teria nada a ver com a resolução do STF de acabar com o nepotismo, apesar de um dos nomes ser Adriana CRIVELLA. Ele diz não ter nenhum parentesco e argumenta:
- O rapaz que me vende coco na praia chama-se Manoel Pereira da Silva, e não é parente do presidente Lula. Na Itália, a família Crivella é como Silva aqui.
Mas ele esquece-se que aqui não é Itália, e nem o nome Crivella é popular por aqui.
Saiu ainda na CARTA CAPITAL desta semana uma matéria sobre o crescimento de uma nova igreja neo-pentecostal (diga-se de passagem, o NEO na frente é muito importante para distinguir das tradicionais que são sérias como: luterana, presbiteriana e metodista), a IGREJA MUNDIAL DO PODER DE DEUS. Parece que ela surgiu de uma rixa entre o bispo Edir Macedo e o apóstolo (e ex-bispo da Universal) Valdemiro Santiago, fundador da nova. A igreja já tem 10 anos, mas como há tantas surgindo diariamente, eu não tinha prestado atenção nessa.
Mas então, a boa notícia é que como essa igreja está crescendo vertiginosamente, e comprando muitas horas na televisão, temos esperança de uma grande parcela dos crentes não votar no Crivella. Porque a doutrina da Mundial é contrária à doutrina da Universal, e bom, eles estão agora disputando fiéis.

Então vamos lá, todo mundo se UNINDO neste último mês pelo ideal em comum!!!

Mas eu achei agora uma pesquisa do ibope, na página do Terra, que diz que o Crivela e Eduardo Paes têm empate técnico ( um com 24% e outro com 19%) e Jandira lá trás em 3° com 10%. Mas ta certo isso? Como pode ela ter começado em 2° e super bem, e agora estar tão distante? Tô achando que isso é manipulação de opinião, que já que todo mundo quer ver o 2° colocado contra o Crivella e a Feghali estava super bem, eles estão tentando fazer a galera acreditar que na verdade é o outro que tem chance, que nem adianta votar nela. Mas tudo bem, o importante é ele não ganhar em 1° turno.

PS. andei pensando mesmo em trazer aqui a plataforma de todos os candidatos, mas confesso que deu muita preguiça quando vi que eram 12 (!?!!) candidatos. Então talvez role só de alguns... enquanto durar a paciência.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Ciclos da Vida






A vida é feita de ciclos, sejam os anos que se passam
a esperança de mudança de uma ano novo e o cansaço ao atingir o final...
as estações que se repetem
primavera – verão – outono – inverno, primavera – verão – outono – inverno...
os dias
acordamos, trabalhamos, vamos dormir...
e na minha família ainda temos mais um ciclo
a visita anual da minha irmã, meu sobrinho e meu cunhado.
A Bel foi embora ontem no final da tarde, dando início a mais um ano de espera. Foram 3 semanas ótimas, que começaram quando o José, saindo de trás da porta preta do desembarque do aeroporto, nos viu e apontou com um sorriso no rosto.
Ele chegou lá em casa como quem já é de casa, indo de colo em colo, brincando com a Luiza, achando tudo muito normal, embora ele só tivesse estado lá em casa por 1 mês durante os quase dois anos de vida.
Aproveitamos muito todos os dias de sol, com passeios, parquinhos e zoológicos, embora no dia do zôo eu estivesse trabalhando.
Eles foram embora deixando muita saudade, muito espaço vazio e silencio na minha casa, mas também com a alegria de tanta festa que fizemos juntos. Nem o domingo chuvoso estragou nossos planos: fizemos churrasco no puxadinho com direito até à brincadeira de roda com as crianças!
Mas ainda bem que a modernidade chegou. Apesar da distância, ainda podemos nos falar sempre, seja por telefone ou por skype - e com direito a webcam- ou acompanhar o que anda acontecendo por lá através dos álbuns na internet. Não é pela distância que seremos distantes. Muito pelo contrário, estamos sempre presentes.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Carta ao Sr. Governador

Li no jornal de hoje que o governador do Rio deseja instalar aparelhos de ar-condicionado em 1.500 escolas da rede estadual, segundo ele serão 19.000 salas de aulas que contarão com o equipamento já em 2009.
Já estudei no fundão durante o verão, em salas que não têm nem 1 ventilador. Sei que o calor do Rio beira o insuportável no verão e como é refrescante ficar em um lugar refrigerado. Chega até a ser um alívio quando encontramos um ar-condicionado, nem que seja só por alguns minutos.
Apoio a iniciativa de instalar o equipamentos em todas as salas, e ainda de estender a iniciativa para as redes municipais e federais. Mas cada coisa tem seu tempo.
A situação do ensino público é vergonhosa. E os motivos não são poucos. Enumerando alguns temos:
1) O salário-vergonha dos nossos professores: ser professor já foi um título de prestígio, reconhecimento do saber, profissão de quem não só procura conhecer cada vez mais como passar o conhecimento adiante, dividindo-o com seus alunos. Mas no estado nossos professores ganham misérias que muitas vezes os obrigam a terem diversos empregos, de forma a gerar uma renda digna.
2) A precariedade das instalações: os prédios das escolas são completamente abandonados, com paredes descascadas, pichadas e ameaçadas por infiltrações. As salas de aulas muitas vezes não possuem cadeiras ou carteiras para todos os alunos, material que com o passar do tempo vai se desgastando sem ser substituído pelo estado. Já soube de escolas que para poderem pintar suas paredes tiveram que desenvolver táticas diversas de arrecadação de donativos, para compra de tintas e rolos, e contar com mutirões de alunos, professores e da própria comunidade. Ato que seria bonito, representado a união da sociedade, se esta não estivesse suprindo uma negligencia do estado a quem pagamos altíssimos valores para efetuar esse trabalho.
3) A inexistência de bibliotecas: boa parte do aprendizado dos alunos parte dos trabalhos e das pesquisas que devem ser feitos. Por isso a importância de boas bibliotecas nas escolas, com livros didáticos e literaturas. Quando muito, encontramos um centena de livros nas bibliotecas escolares, com exemplares com mais de 20 anos, desatualizados, em estados decrépitos e sem organização para facilitar o acesso.
4) Falta de comida: ficou conhecido o caso do ex-morador de rua Ubiratan Gomes da Silva que recentemente passou em um concurso público para o Banco do Brasil. Uma das declarações impressionantes feitas por ele foi o de der-se matriculado em uma escola pois passava dias sem comer e sabia que na escola eles davam comida aos alunos matriculados. São muitos em situação de miséria que não têm dinheiro para comprar comida diariamente, muito menos lanches para fazer na rua, e essas pessoas aproveitam a escola para fazer a alimentação diária. Já soube casos de mães que pediam a transferência de escola (na rede estadual) porque a escola dava somente biscoitos na hora do lanche, sendo assim as filhas passavam fome durante o dia. A ciência já provou que as pessoas rendem mais quando são bem alimentadas.
5) A falta de segurança das escolas: falar em falta de segurança já virou lugar-comum no Rio, está em todo lugar e todos estão a falar. Está também dentro das escolas, com alunos que ameaçam os professores - por notas melhores, para não denunciar um crime, para não sofrer punições disciplinares-, com alunos que ameaçam alunos – por brigas de ciúmes ou motivos diversos- ou ainda traficantes e meliantes que usam as escolas como armazém de seus artefatos ilegais.
6) A falta de segurança fora das escolas: há uma divisão de atribuições entre o estado e o município, em que o último cuida do ensino fundamental ministrado no período diurno, enquanto o estado é responsável pelo ensino médio que fica no período noturno, pois costuma utilizar a estrutura do município. O que quer dizer que a maioria das pessoas que vai cursar o ensino médio público é obrigada a estudar à noite, período no qual é oferecida a maioria das vagas. Mas, será que você deixaria seu filho de 15 anos estudar à noite, e voltar para casa sozinho depois das dez? Considerando que, por falta de um sistema eficiente, muitos dos alunos acabam matriculados em escolas longe de suas casas, é grande o número de pais que acabam pedindo que os filhos atrasem os estudos até conseguir (em algum ano letivo) uma vaga que não ponha tanto em risco as suas vidas.

É bom saber que temos um governador preocupado com o ensino no estado, mas é preocupante ver quais são suas prioridades. Com tantos problemas, será que realmente está na hora de se preocupar com a instalação de aparelhos de ar-condicionado nas escolas? E quem garante que não teremos diversos roubos mensais desses equipamentos? Dar conforto só deve ser prioridade quando houver, no mínimo, uma estrutura.