segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

O começo de Maria

Em homenagem ao futuro blog da Aline. Acho que eu fugi do tema. Não foi início, foi começo. Mas talvez eu continue depois e fale também sobre o início... beijocas

Maria gostava da vida que levava. Estudava de manhã, fazia faculdade de letras, tinha bons amigos, bons professores. À tarde Maria dava aulas particulares, sobretudo de português, para meninos e meninas cursando o ensino fundamental. Ela ainda não tinha se acostumado com essa expressão: ensino fundamental. Ao invés de melhorar a qualidade do ensino oferecido no país, o que mais sabe fazer o MEC é mudar os nomes. O resultado, a conversa entre pais, filhos, avós e netos estava ficando cada vez mais difícil.
Mas apesar de gostar de sua vida, Maria não se sentia satisfeita. Era como se ainda faltasse tanta coisa a ser feita. Mesmo que já tivesse revisado toda a matéria dada na faculdade, ou preparado as aulas de seus alunos, ou ainda lavado a louça.
Resolveu Maria que leria mais. Sairia todos os dias, sentaria na praça e leria os mais diversos romances escritos pelo mundo. Fez-lhe muito bem, Maria via crianças que brincavam nos balanços, cachorros que corriam atrás de pombos, ou ainda casais apaixonados, enquanto lia seu livro, sentada em um banco sob uma árvore.
Mas ainda assim, Maria era sempre invadida por uma ansiedade de que havia mais coisas a serem feitas na vida. Por isso entrou no curso de línguas. Resolveu falar alemão. Devia haver muita coisa a ser dita em alemão, que foi a língua mãe de tantos filósofos. Mas ainda assim, Maria não estava em paz. Sabia que havia muito mais.
No curso Maria conheceu uma moça que fazia cerâmica nos fins de semana, e que garantiu que com uma produção manual, de pegar os barros com as próprias mão e transformá-lo, dar-lhe forma, Maria encontraria sua paz. Por isso, Maria passou seus sábados no ateliê. Sentiu um prazer imenso. Fazia bazares para expor suas obras.
Mas ainda não era isso. Ainda faltava alguma coisa. Foi quando um de seus alunos contou que os pais faziam caminhadas uma vez ao mês, em noite de lua cheia. Que o próprio aluno já tinha ido algumas vezes e que eram fantásticas, sem lanterna enchergava-se tudo.
Maria, então, juntou-se ao grupo. Na lua cheia, lá estava Maria com seus tênnis de caminhada, sua garrafa d’água, sua disposição de ver a beleza da noite. Dormia muito melhor depois desses passeios. Mas ainda não estava satisfeita.
Por recomendações, Maria começou a fazer aulas de dança, um curso para iniciação na escrita, lia histórias e contos em um asilo, viajava para lugares novos, conhecia pessoas diferentes, comia sempre comidas novos, resolveu fazer aulas de culinária, saltou de asa delta.
Mas o que ela tinha começado a perceber é que entre tantas coisas para fazer na vida o melhor era começar. Começar de tudo, aprender um pouco de tudo, nunca deixar de aprender. E é por isso que Maria, de tempos em tempos, inventa uma novidade para começar.

Nenhum comentário: