Finalmente o metrô está chegando à Ipanema. Na verdade ainda falta 1 ano para começar a funcionar, mas está chegando. Sei que o túnel, pelo menos, já está aqui em baixo – passei muitos dias não só ouvindo os estrondos das explosões como, literalmente, sentindo a terra tremer.
Faz parte da obra do metrô um elevador que suba até o Cantagalo – comunidade nossa vizinha. Tem tempo que vejo os operários pendurados em cabos preparando a pedra do morro para construção do elevador. Mas que angústia que tem me dado ultimamente.
Todo dia chego ao trabalho pela rua Teixeira de Melo e deparo-me com o morro, que embora seja cheio de entulho em sua base, era até agradável pela presença de árvores. Mas agora elas, as poucas que ainda existiam, foram embora. E o que se encontra no lugar é uma grande cobertura de cimento.
Não tenho dúvidas de que esse elevador facilitará a vida de muita gente. Recentemente desci o Cantagalo e quase morri, passei dias com a perna dolorida (desci a altura equivalente a 33 andares), imagino o que não seja ter que subir e descer todos os dias.
Mas essa massa de cimento que cobre o morro me dá uma angústia, uma asfixia. Porque antes, ali, havia vegetação, e agora está completamente vedado, sem espaço para terra respirar. Parece até maluquice quando penso no que estou dizendo. Acho até que seja mesmo. Mas às vezes tenho a sensação que estamos sento soterrados de cimento e concreto na cidade. Aqui, na zona sul, ainda temos o alívio da praia, de poder olhar para a imensidão sem fim do mar e saber que há muito espaço para respirar.
O problema não é simplesmente morar em cidade grande, é morar nesta cidade grande, sem ordem alguma, sem planejamento, na qual as construções vão surgindo onde bem entendem, sem prever o espaço dos transeuntes. E eu adoro dar uma de transeunte e andar pelas ruas. (Confesso que muitas vezes ando com medo dos assaltos)
Os últimos acontecimentos em Santa Carina, Rio e Espírito Santo têm me lembrado muito o que aconteceu nos EUA. Na verdade, é tudo muito parecido. O mais chocante não é a força da natureza, o volume das chuvas. Isso já conhecemos, já sabemos e previmos. O impressionante é o descaso dos responsáveis, que deveriam ter feitos obras e removido a população. É a política que tem que mudar, aumentando o planejamento urbano para que áreas verdes façam cada vez mais parte da cidade, para que o sistema de escoamento das águas da chuva seja sempre eficiente, educando a população para que ela não construa suas casas em locais de risco iminente e não jogue lixo nas ruas entupindo os bueiros e aumentando o risco de doenças.
São tantas coisas que são deixadas de lado. São tantos os abandonos que sofremos.
Sei que todo dia que olho para pedra coberta me dá uma sensação como se respirar estivesse cada vez mais difícil...
Faz parte da obra do metrô um elevador que suba até o Cantagalo – comunidade nossa vizinha. Tem tempo que vejo os operários pendurados em cabos preparando a pedra do morro para construção do elevador. Mas que angústia que tem me dado ultimamente.
Todo dia chego ao trabalho pela rua Teixeira de Melo e deparo-me com o morro, que embora seja cheio de entulho em sua base, era até agradável pela presença de árvores. Mas agora elas, as poucas que ainda existiam, foram embora. E o que se encontra no lugar é uma grande cobertura de cimento.
Não tenho dúvidas de que esse elevador facilitará a vida de muita gente. Recentemente desci o Cantagalo e quase morri, passei dias com a perna dolorida (desci a altura equivalente a 33 andares), imagino o que não seja ter que subir e descer todos os dias.
Mas essa massa de cimento que cobre o morro me dá uma angústia, uma asfixia. Porque antes, ali, havia vegetação, e agora está completamente vedado, sem espaço para terra respirar. Parece até maluquice quando penso no que estou dizendo. Acho até que seja mesmo. Mas às vezes tenho a sensação que estamos sento soterrados de cimento e concreto na cidade. Aqui, na zona sul, ainda temos o alívio da praia, de poder olhar para a imensidão sem fim do mar e saber que há muito espaço para respirar.
O problema não é simplesmente morar em cidade grande, é morar nesta cidade grande, sem ordem alguma, sem planejamento, na qual as construções vão surgindo onde bem entendem, sem prever o espaço dos transeuntes. E eu adoro dar uma de transeunte e andar pelas ruas. (Confesso que muitas vezes ando com medo dos assaltos)
Os últimos acontecimentos em Santa Carina, Rio e Espírito Santo têm me lembrado muito o que aconteceu nos EUA. Na verdade, é tudo muito parecido. O mais chocante não é a força da natureza, o volume das chuvas. Isso já conhecemos, já sabemos e previmos. O impressionante é o descaso dos responsáveis, que deveriam ter feitos obras e removido a população. É a política que tem que mudar, aumentando o planejamento urbano para que áreas verdes façam cada vez mais parte da cidade, para que o sistema de escoamento das águas da chuva seja sempre eficiente, educando a população para que ela não construa suas casas em locais de risco iminente e não jogue lixo nas ruas entupindo os bueiros e aumentando o risco de doenças.
São tantas coisas que são deixadas de lado. São tantos os abandonos que sofremos.
Sei que todo dia que olho para pedra coberta me dá uma sensação como se respirar estivesse cada vez mais difícil...

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