sexta-feira, 17 de julho de 2009

Quanto mais se fala, menos há a dizer...

Estava conversando hoje de manhã com minha mãe como parece que a proporção de quanto uma pessoa fala é inversamente proporcional a quanto ela tem para dizer.
Tenho reparado nisso. Em geral, essas pessoas que não conseguem ficar sem falar um minuto, são as menos interessantes, e conseqüentemente, mais chatas. Talvez seja justamente a falta de informação, cultura, diversidade de pensamentos, que faça a pessoa que não tem nada para fazer –pensar- nos momentos de silêncio. E por isso, desanda-se a falar a cada segundo. E se é para falar ininterruptamente, bom, é preciso inventar um jeito de se prolongar o que se tem para falar.
E aí chegamos às conversas populares, às fofocas e aos fuxicos. Não satisfeitos em falar da vida alheia – pode ainda ser da vida própria-, fala-se com riqueza de detalhes e com reprodução integral de todos os diálogos. Dessa forma, cada conversa é uma forma de enriquecer a próxima, já que na seguinte é possível repetir a repetição. É o milagre da multiplicação. Que afortunados seríamos se conseguíssemos fazer o mesmo com dinheiro. Aumento em progressão geométrica...
E assim, uma informação que poderia ser repassada em 5 minutos, concordaram ou não com a idéia, consegue render, nas bocas de pessoas experientes, umas duas horas, com reprodução integral de todos os argumentos, e quem sabe, uns extras, só para tornar a conversa mais interessante.
E quanto mais se fala, menos se lê, menos se presta atenção ao que acontece ao nosso redor, e os dias vão passando assim, sem nada a acrescentar... Sem a beleza dos romances e sem as cores dos quadros impressionistas...

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