Li em um livro de Schopenhauer uma analogia que ele fazia entre a paixão e uma boa idéia, que a gente pensa que nunca irá esquecer, mas acaba esquecendo, e por isso, devemos escrever toda boa idéia que temos.
Eu tento fazer isso. Estou sempre comprando novas cadernetas para poder anotar todas as minhas idéias. Chegou até a funcionar durante uma época em que eu escrevia tudo na caderneta, ela estava sempre na minha bolsa, mas tenho a impressão de que eu só escrevia porque estava havia bebido. Aparentemente, depois de beber um pouco, as idéias parecem sempre muito melhor. Mas eu não poderia dizer se o que eu pensei era melhor ou pior do que penso normalmente, já que não costumo ler o que escrevo.
Vejo filmes e leio livros em que as pessoas, já velhinhas ou suas filhas e netas, lêem diários de uma juventude que já aconteceu há muito tempo e acho o máximo. A memória de todo o romance, as amizades, a lembrança de tudo o que aconteceu. E quero guardar todas as minhas memórias para quando eu estiver velhinha. Como se agora ainda não fosse o tempo de ler. Até porque, algumas anotações não são tão antigas, e poucos anos não são suficientes para não nos fazer sofrer ao lembrar certas coisas.
Engraçado como às vezes tenho a impressão de que poderia escrever uma dissertação inteira sobre um pequenino assunto, mas sempre quando estou andando ou na rua fazendo algo. E quando estou escrevendo ou no computador, parece que a cabeça vai se esvaziando, que o assunto no fim das contas não era tão interessante ou tão extenso.
Fico pensando como seria escrever a dois séculos atrás. Imagina, com canetas de pena, escrever a luz de velas, e depois, ter de revisar o que foi escrito. Além do inconveniente de a tinta manchar ao se esbarrar. Será que realmente revisava-se, alterava-se e se passava a limpo tudo o que era escrito? Imagino o trabalho que não dava passar todo um trabalho a limpo, com uma caneta de pena. Não é a toa que era este o trabalho de padre, só mesmo uma pessoa muito desapegada, calma e tranqüila, para ter um trabalho desses. Ou, então, correriam o risco dela ter um acesso de loucura e começar a rasgar todos os papéis que estivesse compilando. Para ser sincera, não chego a duvidar que alguns tenham de fato escondido parte do trabalho, só para não ter que transcrever tudo.
E agora, temos o computador. Que altera tudo na maior facilidade. Que é capaz de produzir quantas cópias desejarmos. Mas a facilidade de alterar é tão grande, que às vezes podemos perder um original, depois de tantas mudanças, que no fim, o trabalho já não tem mais semelhanças com a idéia.
E assim, seguimos mudando sempre. Agora mudamos com mais facilidade. Agora, mudamos com maior agilidade. O que ficou para trás, já foi alterado, e pode facilmente ser esquecido. Afinal, com tantas mudanças, como podemos nos lembrar de tudo? É humanamente impossível. E penso que talvez seja por isso que algumas idéias não rendem tanto. Porque quando vou escrever sobre elas, já estou pensando em outra coisa. Já tive novas informações, já tive novas idéias, e as antigas, já não são tão interessantes.
Tudo muda tão rapidamente hoje em dia, que é difícil acompanhar. Um sinal, é a produção diária de jornal. Como é possível produzir notícia interessante todo dia? E ainda, como é possível acompanhar tudo que está sendo produzindo, e não esquecer dos clássicos?
Não, não é possível. Por isso, o estresse e a depressão foram os males do século passado, e possivelmente o pânico será o mal deste século. Ninguém agüenta a pressão. É simplesmente muita coisa. É simplesmente impossível. E nós, somos simplesmente humanos. E não devemos nunca esquecer. Por isso devemos prestar atenção em manifestações como “Nadismo” ou “Slow Food”, que nos fazem lembrar que a vida deve ser vivida com calma.
O que parece ser bem difícil esses dias...
domingo, 2 de agosto de 2009
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